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Sebrae prepara pequenos negócios do Amapá para oportunidades da cadeia de petróleo e gás

Estratégia inclui capacitação, certificação e conexão com grandes contratantes; 14 empresas locais já estão habilitadas a disputar contratos em 12 segmentos

A confirmação pela Petrobras da presença de petróleo no poço Morpho abre uma nova perspectiva para a economia do Amapá, com potencial para atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a cadeia local de fornecedores. Antes mesmo da descoberta, o Sebrae já desenvolvia ações para preparar micro e pequenas empresas para as oportunidades relacionadas ao avanço do setor de petróleo e gás na Margem Equatorial.

A atuação é coordenada pela Unidade de Petróleo, Gás e Energia (UPGE) e está organizada em quatro frentes: mobilização, capacitação, adequação e conexão com o mercado. A estratégia busca tornar os negócios amapaenses mais competitivos e aptos a atender aos padrões exigidos pelas grandes empresas do setor.

“O Amapá não esperou as oportunidades chegarem para começar a se preparar. Nosso trabalho antecipou esse movimento de fortalecer as empresas locais e criar as condições para que os pequenos negócios estejam aptos a fornecer, inovar e crescer dentro dessa nova cadeia econômica”, afirmou a superintendente do Sebrae no Amapá, Alcilene Cavalcante.

Superintendente do Sebrae no Amapá, Alcilene Cavalcante.

Segundo ela, o objetivo é fazer com que o novo ciclo econômico gere resultados concretos no estado. “A Margem Equatorial representa uma oportunidade histórica, mas queremos que esse novo ciclo se transforme em desenvolvimento para o Amapá, com competitividade e inclusão dos nossos empreendedores”, acrescentou.

Preparação antecipada

Criada em maio de 2025 pela Diretoria Executiva e pelo Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae, a UPGE surgiu para acompanhar as perspectivas do mercado de óleo e gás. Posteriormente, a atuação foi ampliada para o setor energético, considerando o potencial do Amapá e as possibilidades de prestação de serviços e fornecimento de produtos.

Entre janeiro e julho de 2026, a instituição desenvolveu uma agenda voltada à formação de fornecedores. As atividades alcançaram diretamente 67 empresas e 77 pequenos negócios, além de mais de 400 pessoas envolvidas em ações de sensibilização, capacitação e acesso a mercados.

A programação contou com seminários, oficinas empresariais, missões técnicas e rodadas de negócios. Entre os temas abordados estavam inovação, logística, governança, sustentabilidade, qualificação empresarial e desenvolvimento territorial.

Para o presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae, Josiel Alcolumbre, o aproveitamento das novas oportunidades depende da participação de diferentes setores.

Presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae, Josiel Alcolumbre

“A pauta do petróleo faz parte de uma trajetória que acompanho há anos, sempre acreditando no potencial do Amapá e na capacidade do nosso estado de transformar suas riquezas em desenvolvimento, emprego, renda e oportunidades para a nossa gente”, declarou.

Empresas habilitadas

Um dos principais eixos do trabalho é aproximar os pequenos negócios das exigências de grandes contratantes, especialmente da Petrobras. Para isso, foram promovidos o Seminário Kick Off Petronect e mentorias especializadas sobre o funcionamento do portal de compras do Sistema Petrobras.

Com o apoio do Sebrae, 14 empresas amapaenses obtiveram o Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRC). Com a certificação, elas estão habilitadas a disputar oportunidades de fornecimento em 12 segmentos empresariais.

Outros 24 consultores e profissionais credenciados foram capacitados para prestar atendimento técnico especializado aos empreendedores. Oficinas também trabalharam apresentação comercial, posicionamento competitivo e estratégias de acesso ao mercado.

Conexões nacionais e internacionais

A estratégia inclui a aproximação do Amapá com importantes polos nacionais da indústria de petróleo e gás. Uma das ações foi a Imersão Empresarial Rio-Amapá, que reuniu empresários em seminários, visitas técnicas e rodadas de relacionamento.

Outra iniciativa contou com cerca de 40 empresários da Bahia, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Amazonas e Pará. O encontro buscou ampliar parcerias e fortalecer o posicionamento do Amapá no cenário nacional.

O Sebrae também participou da OTC Rio e da OTC Houston, considerada uma das maiores conferências mundiais da indústria offshore. Durante os eventos, foram realizadas articulações com instituições como Petrobras, FGV Energia, Câmara de Comércio Brasil-Texas (Bratecc) e Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Governança e formação profissional

Além da preparação das empresas, o trabalho envolve poder público, setor produtivo, instituições de ensino e organizações estratégicas. Uma mesa-redonda promovida em parceria com a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados discutiu formas de transformar a atividade petrolífera em desenvolvimento sustentável, inovação e melhoria da qualidade de vida.

A formação de mão de obra também integra a estratégia. O evento Café com Energia – Profissões e Oportunidades na Margem Equatorial reuniu 16 instituições de ensino superior, educação profissional, formação técnica e idiomas para debater a adequação dos cursos às futuras demandas do mercado.

“É preciso preparar empresas, profissionais, instituições de ensino, poder público e todo o ecossistema. O papel do Sebrae é ajudar a construir essa ponte para que o desenvolvimento da cadeia de petróleo e gás aconteça com participação efetiva das empresas amapaenses”, destacou Alcilene Cavalcante.

Com a confirmação da presença de petróleo no poço Morpho, a expectativa é que a agenda seja intensificada. A prioridade será ampliar a qualificação, a certificação e a capacidade de fornecimento das empresas locais, criando condições para que os pequenos negócios participem do ciclo de investimentos esperado para o Amapá.

*Redação – Portal Amapá News

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