Sebrae prepara pequenos negócios do Amapá para oportunidades da cadeia de petróleo e gás




A confirmação pela Petrobras da presença de petróleo no poço Morpho abre uma nova perspectiva para a economia do Amapá, com potencial para atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a cadeia local de fornecedores. Antes mesmo da descoberta, o Sebrae já desenvolvia ações para preparar micro e pequenas empresas para as oportunidades relacionadas ao avanço do setor de petróleo e gás na Margem Equatorial.
A atuação é coordenada pela Unidade de Petróleo, Gás e Energia (UPGE) e está organizada em quatro frentes: mobilização, capacitação, adequação e conexão com o mercado. A estratégia busca tornar os negócios amapaenses mais competitivos e aptos a atender aos padrões exigidos pelas grandes empresas do setor.
“O Amapá não esperou as oportunidades chegarem para começar a se preparar. Nosso trabalho antecipou esse movimento de fortalecer as empresas locais e criar as condições para que os pequenos negócios estejam aptos a fornecer, inovar e crescer dentro dessa nova cadeia econômica”, afirmou a superintendente do Sebrae no Amapá, Alcilene Cavalcante.

Segundo ela, o objetivo é fazer com que o novo ciclo econômico gere resultados concretos no estado. “A Margem Equatorial representa uma oportunidade histórica, mas queremos que esse novo ciclo se transforme em desenvolvimento para o Amapá, com competitividade e inclusão dos nossos empreendedores”, acrescentou.
Preparação antecipada
Criada em maio de 2025 pela Diretoria Executiva e pelo Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae, a UPGE surgiu para acompanhar as perspectivas do mercado de óleo e gás. Posteriormente, a atuação foi ampliada para o setor energético, considerando o potencial do Amapá e as possibilidades de prestação de serviços e fornecimento de produtos.
Entre janeiro e julho de 2026, a instituição desenvolveu uma agenda voltada à formação de fornecedores. As atividades alcançaram diretamente 67 empresas e 77 pequenos negócios, além de mais de 400 pessoas envolvidas em ações de sensibilização, capacitação e acesso a mercados.
A programação contou com seminários, oficinas empresariais, missões técnicas e rodadas de negócios. Entre os temas abordados estavam inovação, logística, governança, sustentabilidade, qualificação empresarial e desenvolvimento territorial.
Para o presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae, Josiel Alcolumbre, o aproveitamento das novas oportunidades depende da participação de diferentes setores.

“A pauta do petróleo faz parte de uma trajetória que acompanho há anos, sempre acreditando no potencial do Amapá e na capacidade do nosso estado de transformar suas riquezas em desenvolvimento, emprego, renda e oportunidades para a nossa gente”, declarou.
Empresas habilitadas
Um dos principais eixos do trabalho é aproximar os pequenos negócios das exigências de grandes contratantes, especialmente da Petrobras. Para isso, foram promovidos o Seminário Kick Off Petronect e mentorias especializadas sobre o funcionamento do portal de compras do Sistema Petrobras.
Com o apoio do Sebrae, 14 empresas amapaenses obtiveram o Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRC). Com a certificação, elas estão habilitadas a disputar oportunidades de fornecimento em 12 segmentos empresariais.
Outros 24 consultores e profissionais credenciados foram capacitados para prestar atendimento técnico especializado aos empreendedores. Oficinas também trabalharam apresentação comercial, posicionamento competitivo e estratégias de acesso ao mercado.
Conexões nacionais e internacionais
A estratégia inclui a aproximação do Amapá com importantes polos nacionais da indústria de petróleo e gás. Uma das ações foi a Imersão Empresarial Rio-Amapá, que reuniu empresários em seminários, visitas técnicas e rodadas de relacionamento.
Outra iniciativa contou com cerca de 40 empresários da Bahia, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Amazonas e Pará. O encontro buscou ampliar parcerias e fortalecer o posicionamento do Amapá no cenário nacional.
O Sebrae também participou da OTC Rio e da OTC Houston, considerada uma das maiores conferências mundiais da indústria offshore. Durante os eventos, foram realizadas articulações com instituições como Petrobras, FGV Energia, Câmara de Comércio Brasil-Texas (Bratecc) e Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).


Governança e formação profissional
Além da preparação das empresas, o trabalho envolve poder público, setor produtivo, instituições de ensino e organizações estratégicas. Uma mesa-redonda promovida em parceria com a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados discutiu formas de transformar a atividade petrolífera em desenvolvimento sustentável, inovação e melhoria da qualidade de vida.
A formação de mão de obra também integra a estratégia. O evento Café com Energia – Profissões e Oportunidades na Margem Equatorial reuniu 16 instituições de ensino superior, educação profissional, formação técnica e idiomas para debater a adequação dos cursos às futuras demandas do mercado.
“É preciso preparar empresas, profissionais, instituições de ensino, poder público e todo o ecossistema. O papel do Sebrae é ajudar a construir essa ponte para que o desenvolvimento da cadeia de petróleo e gás aconteça com participação efetiva das empresas amapaenses”, destacou Alcilene Cavalcante.
Com a confirmação da presença de petróleo no poço Morpho, a expectativa é que a agenda seja intensificada. A prioridade será ampliar a qualificação, a certificação e a capacidade de fornecimento das empresas locais, criando condições para que os pequenos negócios participem do ciclo de investimentos esperado para o Amapá.
*Redação – Portal Amapá News



