Margem Equatorial pode garantir mais 40 anos de produção de petróleo à Petrobras


A produção de petróleo na Margem Equatorial pode começar dentro de seis a sete anos. Apesar do longo prazo, a identificação de indícios de óleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras em águas ultraprofundas do Amapá aumentou as expectativas da companhia e do mercado sobre o potencial da região.
A descoberta ocorreu no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco que integram a Margem Equatorial. A campanha exploratória foi iniciada há cerca de dez meses, após a Petrobras receber a licença ambiental para a perfuração, em outubro de 2025.
Segundo o gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer, caso o potencial da bacia seja confirmado, os reservatórios poderão assegurar pelo menos mais 40 anos de produção de petróleo.
Victer classificou o momento como histórico e comparou a abertura da nova fronteira exploratória ao início das operações na Bacia de Campos. Para ele, o avanço da atividade poderá ampliar a longevidade da Petrobras e atrair uma nova geração de engenheiros e profissionais para o setor.
O material encontrado no poço será encaminhado ao Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), onde passará por análises para determinar a qualidade do óleo e o potencial do reservatório. Segundo a diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, ainda é necessário aguardar os resultados antes de avaliar a relevância comercial da descoberta.
Região é estratégica para reposição de reservas
A Margem Equatorial é considerada estratégica para a Petrobras por representar uma possibilidade de reposição das reservas a partir da próxima década, período em que a produção do pré-sal poderá atingir o pico e iniciar uma trajetória de redução.
O Plano de Negócios 2026-2030 da companhia prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões e a perfuração de 15 novos poços na região. O avanço dessas atividades, no entanto, depende da concessão de novas licenças ambientais.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) analisa o pedido da Petrobras para perfurar outros três poços. No caso de Morpho, o processo de licenciamento levou mais de 12 anos. A licença foi concedida em outubro de 2025, após três anos de maior pressão da atual gestão da estatal.
Até 2021, a britânica BP detinha 70% do ativo, mas desistiu do projeto durante o período de espera e vendeu sua participação para a Petrobras.
Para o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida, será necessário acelerar a análise dos próximos pedidos para que a companhia consiga dimensionar o potencial da bacia.
O especialista avalia que a confirmação dos reservatórios exigirá uma campanha exploratória mais ampla, com a perfuração de vários poços e diferentes declarações de comercialidade. Ele cita como exemplo a Guiana, onde mais de 100 poços foram perfurados durante o desenvolvimento da nova fronteira petrolífera.
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, também considerou positiva a identificação de óleo, mas ponderou que ainda não existem dados suficientes para determinar o tamanho ou a relevância da descoberta.
Mercado aguarda dados sobre viabilidade comercial
Para o analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a identificação de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59 melhora as perspectivas exploratórias da Petrobras, mas ainda não deve influenciar a cotação das ações da empresa.
Segundo ele, uma avaliação consistente dependerá da comprovação da escala comercial, da produtividade do poço e da competitividade econômica do projeto em relação aos demais ativos da estatal. Até que essas informações sejam conhecidas, a descoberta deve ser tratada como uma possibilidade exploratória de longo prazo.
Na avaliação do sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, o resultado pode aumentar o interesse de empresas privadas por blocos da Margem Equatorial e contribuir para a realização de novos leilões. Ele ressalta, entretanto, que a região ainda apresenta riscos e exige uma atividade exploratória intensa.
Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão. Para serem efetivamente ofertadas, as áreas ainda precisam passar por análise ambiental e receber manifestação conjunta dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O professor da PUC-Rio e ex-diretor-geral da ANP David Zylbersztajn considera que a confirmação de uma nova província petrolífera poderá alterar a geopolítica econômica e industrial do país. Na avaliação dele, a atividade tem potencial para abrir um novo caminho de desenvolvimento econômico e social para a região.
*Redação – Portal Amapá News / Estadão Conteúdo



