IBGE libera novos mapas-múndi nesta segunda-feira (7) após decisão da ONU

Arquivos produzidos pelo instituto entre 2024 e 2026 serão disponibilizados ao público; projeção Equal Earth reduz distorções históricas na representação de continentes como África e América do Sul.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) libera, a partir desta segunda-feira (7), o acesso à sua série de mapas-múndi. A disponibilização ocorre poucos dias depois de a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovar uma resolução que incentiva o uso de representações cartográficas mais fiéis às dimensões reais dos continentes.
A decisão da ONU, aprovada na sexta-feira (4), recomenda a adoção da projeção Equal Earth (Terra Igual). O modelo busca diminuir as distorções encontradas em mapas baseados na tradicional projeção de Mercator, criada no século XVI principalmente para atender às necessidades da navegação marítima.
A resolução recebeu apoio de 164 países. Seis se abstiveram e os Estados Unidos votaram contra. A medida não é obrigatória, mas pretende estimular governos, organizações internacionais, instituições de ensino e outras entidades a utilizarem representações cartográficas mais proporcionais.
Por que o mapa tradicional distorce os continentes?
A projeção de Mercator, desenvolvida pelo cartógrafo Gerardus Mercator em 1569, preserva características importantes para a navegação, mas provoca grandes distorções de área à medida que se aproxima dos polos.
Na prática, territórios localizados em latitudes mais elevadas aparecem muito maiores do que realmente são, enquanto regiões próximas à Linha do Equador ficam proporcionalmente reduzidas. Um dos exemplos mais conhecidos é a Groenlândia, que em mapas tradicionais pode parecer ter dimensões semelhantes às da África, embora o continente africano seja aproximadamente 14 vezes maior.
A distorção também interfere na percepção das dimensões da América do Sul, da África e de partes da Ásia, que aparecem proporcionalmente menores em comparação com territórios situados mais ao norte.
Equal Earth busca representação mais proporcional
A projeção Equal Earth foi apresentada em 2018 pelos cartógrafos Tom Patterson, Bojan Šavrič e Bernhard Jenny. Diferentemente de Mercator, o modelo foi desenvolvido para preservar as áreas relativas dos países e continentes, oferecendo uma percepção mais próxima de suas verdadeiras proporções.
A iniciativa que levou a discussão à ONU contou com forte mobilização de países africanos. Para os defensores da mudança, a escolha de uma projeção cartográfica não é apenas uma questão técnica, pois a forma como o planeta aparece nos mapas também influencia a percepção sobre a dimensão e a importância territorial de diferentes regiões.
A recomendação, entretanto, não significa o fim da projeção de Mercator. O modelo continua útil para determinadas aplicações, especialmente relacionadas à navegação. A proposta é ampliar o uso de projeções equivalentes, como a Equal Earth, em mapas destinados à educação, comunicação e representação geral do planeta.
Mapas do IBGE
Com a liberação anunciada para esta segunda-feira (7), o público poderá consultar a série de mapas-múndi do IBGE diretamente na plataforma de publicações e produtos do instituto.
Segundo informação de serviço divulgada pelo próprio IBGE, o acesso será feito pela Loja do IBGE, onde ficará disponível a série cartográfica.
A disponibilização ocorre em meio ao debate internacional sobre a necessidade de representações mais equilibradas do planeta e amplia o acesso do público brasileiro a diferentes formas de visualizar países e continentes.
Serviço
O quê: acesso à série de mapas-múndi do IBGE
Quando: a partir de segunda-feira, 7 de setembro
Onde: Loja do IBGE — loja.ibge.gov.br
*Redação – Portal Amapá News / Fonte; IBGE



