Petrobras deve iniciar novas perfurações na Foz do Amazonas em janeiro de 2027


A Petrobras pretende iniciar em janeiro de 2027 uma nova etapa da campanha exploratória na Bacia da Foz do Amazonas, com a perfuração de três novos poços no bloco FZA-M-59, localizado em águas profundas na costa do Amapá.
A previsão foi informada nesta terça-feira, 22 de setembro, pela diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. Segundo a executiva, uma sonda será enviada à região em janeiro para iniciar os trabalhos.
Os novos poços são denominados Manga, PAD Morpho (Morpho Extensão) e Crotalus. A Petrobras recebeu no início de setembro autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar as três perfurações.
A campanha deverá ocorrer de forma sequencial ao longo de 2027, segundo a diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos.
Morpho deve ser concluído em outubro
Antes do início da nova campanha, a Petrobras pretende concluir a perfuração do poço Morpho. A previsão apresentada durante a ROG.e é de que os trabalhos sejam finalizados em outubro.
O Morpho foi o primeiro poço perfurado pela estatal no bloco FZA-M-59 e ganhou destaque após a descoberta de hidrocarbonetos anunciada em agosto. O local fica a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá.
A análise inicial da amostra retirada do poço também trouxe resultados considerados positivos pela companhia. Renata Baruzzi afirmou que o petróleo encontrado é de “altíssima qualidade” e chegou a indicar que, em termos de qualidade, poderá estar entre os melhores óleos encontrados pela Petrobras.
Apesar do resultado, a companhia ainda não sabe quanto petróleo existe no reservatório nem qual parcela poderá ser comercialmente recuperada.
Três poços serão decisivos
É justamente essa incerteza que os próximos três poços deverão ajudar a esclarecer.
Manga, Crotalus e PAD Morpho serão utilizados para obter informações adicionais sobre a extensão e as características do reservatório. Os dados permitirão à Petrobras avançar na estimativa do volume de petróleo existente e avaliar se a descoberta possui escala suficiente para justificar um futuro projeto de produção.
A autorização para os novos poços foi concedida pelo Ibama em setembro, por meio da retificação da Licença de Operação nº 1.684. As três perfurações já estavam previstas no processo de licenciamento ambiental do bloco.
A nova campanha, portanto, representa uma etapa diferente da descoberta inicial: enquanto o Morpho confirmou a presença de petróleo, os próximos poços deverão ajudar a responder uma questão fundamental para o futuro do projeto — quanto petróleo existe e se a exploração é economicamente viável.
Amapá no centro da nova fronteira petrolífera
O cronograma aumenta a importância de 2027 para o Amapá e para a estratégia da Petrobras na Margem Equatorial.
Caso os próximos poços confirmem um reservatório comercialmente viável, ainda serão necessárias outras etapas técnicas, ambientais e regulatórias antes de uma eventual produção. Portanto, o início das novas perfurações não significa que a produção comercial de petróleo começará em janeiro.
A Petrobras, no entanto, vem ampliando sua aposta na região. O Plano Estratégico 2026-2030 prevê cerca de US$ 2,5 bilhões para a perfuração de 15 poços na Margem Equatorial, conjunto que engloba as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
Com a descoberta no Morpho e a nova campanha prevista para começar em janeiro, o bloco FZA-M-59 entra em uma fase decisiva. Os resultados de Manga, PAD Morpho e Crotalus poderão determinar os próximos passos da Petrobras e indicar se a descoberta na costa do Amapá poderá avançar, no futuro, para um projeto comercial de petróleo.
*Redação – Portal Amapá News / “imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial”



