ONU cobra proteção a jornalistas e combate à impunidade para garantir direito à informação

No dia internacional dedicado ao tema, António Guterres pede investigação dos crimes; Unesco aponta impunidade em 86% dos assassinatos de profissionais da imprensa
A Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou, nesta segunda-feira (2 de novembro), a necessidade de proteger jornalistas e responsabilizar os autores de crimes contra profissionais da imprensa. A manifestação marca o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas e destaca a importância do trabalho jornalístico para a democracia e o direito da população à informação.
Na mensagem alusiva à data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que jornalistas enfrentam perseguição, vigilância, agressões e prisões em razão de sua atividade. Ele cobrou investigações, responsabilização dos envolvidos e medidas para interromper ataques pela internet.
“Em todo o mundo, os jornalistas continuam a pagar um preço exorbitante por dizerem a verdade”, declarou Guterres. Para o secretário-geral, a violência contra a imprensa também prejudica as pessoas que dependem desse trabalho para acompanhar acontecimentos e fiscalizar o poder público.
O alerta acompanha a divulgação do relatório de 2026 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre segurança de jornalistas. Segundo o levantamento, 189 profissionais foram mortos em 2024 e 2025. Desse total, 127 estavam em zonas de conflito.
A taxa mundial de impunidade nos assassinatos de jornalistas chegou a 86%, ante 85% no levantamento anterior. Foi a primeira alta desde que a Unesco começou a medir o indicador, em 2012. A entidade ressalta que a ausência de punição favorece novos ataques e compromete a continuidade das coberturas de interesse público.
As novas tecnologias militares também ampliam os riscos. No biênio analisado, 50 jornalistas morreram em ataques com drones, aproximadamente 40% das mortes registradas entre profissionais em áreas de conflito. A Unesco reiterou que jornalistas são civis e devem receber proteção durante as guerras.
Para a ONU, as consequências da violência ultrapassam as redações e as famílias das vítimas. A intimidação pode silenciar investigações sobre corrupção, criminalidade e violações de direitos humanos, reduzindo o acesso da sociedade a informações essenciais.
A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2013 e lembra o assassinato dos jornalistas franceses Ghislaine Dupont e Claude Verlon, da Rádio França Internacional, ocorrido em 2 de novembro daquele ano, no Mali. A iniciativa conclama os países a prevenir a violência e assegurar condições para o exercício independente do jornalismo.
*Redação – Portal Amapá News/Fontes: ONU, Unesco e Agência Brasil.



