Embrapa Amapá terá primeira mulher na chefia; posse de Cristiane Ramos ocorre dia 13


A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá , fará parte da pesquisadora Cristiane Ramos de Jesus no cargo de chefe-geral da Embrapa Amapá, durante a madrugada na manhã do próximo dia 13 de abril, no auditório da instituição de pesquisa, em Macapá (AP).
Também participaram do evento a diretora-executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler , funcionários da Embrapa Amapá, autoridades, representantes do setor produtivo agrícola, comunidades agroextrativistas, empreendedores da bioeconomia, técnicos de extensão rural, parceiros institucionais, e dirigentes de instituições de ensino e de pesquisa.
A programação terá início com uma visita técnica ao laboratório de Proteção de Plantas (defesa fitossanitária), encontro com os empregados, seguido de uma apresentação da Banda de música e dança do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá (IFAP), e café da manhã de acolhimento e integração entre convidados, seguido do ato solene de posse.
A presença da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, reforça a importância estratégica da Embrapa Amapá no contexto da pesquisa agropecuária brasileira, especialmente em temas relacionados à sustentabilidade, bioeconomia, segurança alimentar e adaptação da produção às condições da Amazônia.
A pesquisadora Cristiane Ramos de Jesus possui trajetória consolidada na pesquisa agropecuária, com atuação voltada ao desenvolvimento sustentável da Amazônia e estudos científicos de temas estratégicos para o Amapá e Estuário Amazônico.
Graduado em Ciências Biológicas, possui mestrado em Biologia Animal e doutorado em Agronomia (Fitotecnia), a nova chefe-geral da Embrapa Amapá foi aprovada em processo interno de seleção. O mandato é de dois anos, renovável por igual período. A gestora sucede a Jô de Farias Lima , que ocupou a função interinamente de julho a dezembro de 2025. Anteriormente, Antonio Claudio Almeida de Carvalho esteve à frente da Embrapa Amapá no período de 2021 a 2025.
Nas chefias adjuntas da nova gestão da Embrapa Amapá estão a pesquisadora Valeria Saldanha Bezerra que assumiu a chefia de Pesquisa e Desenvolvimento; o zootecnista Daniel Montagne , nomeado para chefia de Transferência de Tecnologia; e o Bacharel em Direito Adalberto Azevedo Barbosa na chefia adjunta de Administração.
Cristiane Ramos ingressou na Embrapa como bolsista
Pela primeira vez uma mulher ocupa o cargo máximo da Embrapa Amapá. Gaúcha de Porto Alegre, Cristiane tem 52 anos, é divorciada e mãe de duas filhas. Graduado em Ciências Biológicas, pesquisadora possui mestrado em Biologia Animal e doutorado em Agronomia (Fitotecnia), sempre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Vivemos um momento histórico. A Embrapa Amapá é formada por um mosaico de profissionais de várias regiões do país, e queremos fortalecer esse capital humano com diálogo e colaboração”, afirmou o novo chefe-geral.
A pesquisadora ingressou na pesquisa da Embrapa Amapá em 2005 como bolsista custeada pelo CNPq e pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Amapá (Setec). Na época, ela fez parte da equipe pioneira em pesquisas com mosca-da-carambola, praga quarentenária presente no extremo norte do país.
Encerrado o período como bolsista, Cristiane já se adaptou ao Amapá e otimista com as perspectivas de desenvolvimento do estado, ingressou no quadro de professores dos cursos de Engenharia Florestal e Engenharia de Pesca da Universidade do Estado do Amapá (UEAP). Dois anos depois, em novembro de 2010, Cristiane retornou à Embrapa Amapá, como pesquisadora concursada. Exerceu o cargo de chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento de fevereiro de 2021 a julho de 2025, quando foi desincompatibilizado para concorrer ao cargo de chefe-geral.
Foco de atuação e prioridades
Os novos investidores têm como foco consolidar a Embrapa Amapá como centro de pesquisa referência em defesa fitossanitária do país no enfrentamento à mosca-da-carambola e à vassoura-de-bruxa da mandioca; dinamizar cadeias de produtos da sociobiodiversidade; e investir em tecnologias para agricultura sustentável.
O objetivo é contribuir para a geração de renda e saúde única da população do estado do Amapá e do estudo amazônico. A proteção sanitária é estratégica, tanto para nossa biodiversidade quanto para garantir os mercados agropecuários brasileiros”, diz Cristiane.
Classificada como centro ecorregional de pesquisa, a Embrapa Amapá desempenha papel importante na geração de conhecimentos e tecnologias adaptadas aos diferentes ecossistemas do estado, como cerrados, florestas de terra firme e de várzea, campos naturais, zona costeira e manguezais do estuário do rio Amazonas.
No plano de prioridades da nova gestão está posicionado a Embrapa Amapá como sentinela em defesa fitossanitária no país, e desenvolver tecnologias para atender cadeias produtivas como a do açaí, com ênfase em manejo de impacto mínimo, variedades mais produtivas e de entressafra e agregação de valor; os produtos florestais madeireiros e não madeireiros, como castanha-da-amazônia, óleos vegetais amazônicos (andiroba e pracaxi) e cipó titica; além da produção de grãos e frutíferas, a exemplo de feijão-caupi, milho, cupuaçu, banana, citros e mangaba.
A atuação da Embrapa Amapá também inclui soluções tecnológicas para a aquicultura, com destaque para o camarão-da-amazônia, integrando sistemas produtivos e sanidade; e uso de ingredientes regionais para alimentação de peixes, por exemplo, além de ampliar as ações de transferência de tecnologias para essa cadeia produtiva.
Embrapa Amapá
A Embrapa Amapá é uma Unidade Descentralizada da Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Tem sede em Macapá (AP) e atua na geração e adaptação de tecnologias, serviços e recomendações em aquicultura e pesca, recursos florestais, proteção de plantas e agricultura sustentável. O portfólio de pesquisa inclui espécies como tambaqui, pirarucu, tracajás, camarão-da-amazônia, cipó-titica, pau-mulato, castanha-da-amazônia, açaí, banana, mosca-da-carambola, vassoura-de-bruxa da mandioca, soja, milho, feijão, mangaba, cítricos, mandioca, café, entre outros.
A Embrapa no Amapá atua em todo o território do estado do Amapá e estuário amazônico (ponto de encontro entre o Amapá e Pará), com uma equipe formada por 81 funcionários, entre pesquisadores, analistas, técnicos e assistentes.
A infraestrutura é composta pela sede, em Macapá, e três campos experimentais em áreas representativas dos ecossistemas do estado do Amapá: Cerrado (Km 43 da BR-210), Fazendinha (perímetro urbano de Macapá) e Mazagão (áreas de terra firme, e um açaizal em área de várzea).
A Embrapa Amapá atua em parceria com os governos, instituições de pesquisas científicas e tecnológicas, instituições representativas de agricultores, de extrativistas, comunidades indígenas, escolas familiares rurais e agroextrativistas, e instituições de ensino público e privado, além de projetos em parceria com outras Unidades da Embrapa no país.
Esta Unidade da Embrapa também atua em projetos direcionados ao conceito da bioeconomia https://www.embrapa.br/tema-bioeconomia/sobre-o-tema ), um modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos. Está alinhado ao esforço de gerar dados para contribuir com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que é a Agenda 2030 compactada pela Organização das Nações Unidas (ONU) externa para erradicação da pobreza e proteção do planeta.
Políticas Públicas
Entre as pesquisas que geram dados e informações para políticas públicas estão o Zoneamento Ecológico-Econômico do Amapá (ZEE-AP), o Sistema Bragantino (tecnologia desenvolvida pela Embrapa do Pará e adaptada ao Amapá); o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (para milho, feijão-caupi e soja), o Programa de Erradicação da mosca-da-carambola, e o Programa de Erradicação da vassoura-de-bruxa da mandioca.
Também contribui para a atualização da lei do manejo do cipó-titica, um produto florestal não madeireiro de expressiva importância econômica, ambiental e social para o Amapá; estudos estratégicos e atualização dos hospedeiros da mosca-da-carambola; instalação de fossas sépticas biodigestores em comunidades ribeirinhas do Estuário Amazônico (Afuá/PA) e disseminação de boas práticas de fabricação de açaí em batedeiras garantem um alimento seguro.
Parcerias estratégicas
Os diversos parceiros da Embrapa são reconhecidos como co-protagonistas dos esforços de desenvolvimento do desenvolvimento sustentável, a exemplo dos órgãos dos governos federais, estaduais, municipais, instituições de ensino, agências de fomento, profissionais de comunicação, e programas como o Fundo Amazônia.
Outro aliado da Embrapa Amapá é o Sebrae, por meio de cooperação técnica e financeira para promover o acesso a inovações tecnológicas no beneficiamento do açaí e de frutíferas diversas como abacaxi, banana, cupuaçu, além de hortaliças e mandioca.
Outras parcerias relevantes são as instituições da Rede Integrada de Pesquisa do Estado do Amapá (Ripap), formadas por parceiros tradicionais como o Instituto Estadual de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Iepa), a Universidade Federal do Amapá (Unifap), a Universidade do Estado do Amapá (Ueap), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFAP), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Faefap), entre outros.
A bancada federal do Amapá também se esforça no fortalecimento da Embrapa Amapá, por meio de emendas parlamentares.
Como:
- Prédio e laboratórios de aquicultura e pesca. transferência de tecnologias de frutíferas para indígenas de Oiapoque (Janete Capiberibe. PSB-AP);
- Instalação do gerador de energia elétrica (Roberto Góes. União Brasil-AP);
- Equipamentos para Escolas Famílias Rurais (Fátima Pelaes. Republicanos-AP);
- Reforma do Campo Experimental de Fazendinha, suporte computacional para toda a Embrapa, transferência de tecnologias para mandioca (Davi Alcolumbre. União Brasil-AP);
- Capacitação para fabricação de matapis para captura de camarão-da-amazônia. Sistema de recirculação de água nos tanques de aquicultura da Unidade (Aline Gurgel. Republicanos-AP);
- Transferência de tecnologias para mandioca e banana (Cabuçu Borges. MDB-AP);
- Fossas sépticas biodigestoras para comunidades ribeirinhas (Camilo Capiberibe. PT-AP);
- Tanques escavados para cultivo de peixes e tracajás, e projeto ambiental na área do Igarapé da Fortaleza (João Alberto Capiberibe. PSB-AP);
- Infraestrutura de laboratórios (Jurandil Juarez. PMDB-AP);
- Infraestrutura do Campo do Cerrado (Marcos Reátegui. PSD-AP);
- Infraestrutura de laboratórios (Papaléo Paes – in memoriam );
- Pesquisa e transferência de tecnologias em aquicultura e pesca (Professora Marcivânia. PC do B-AP);
- Sistema de transparência do Campo Experimental do Cerrado (Luiz Carlos. PSDB-AP);
- Transferência de tecnologias para avicultura de base familiar. (Lucas Barreto. PSD-AP);
- Transferência de Tecnologias e Comunicação de tecnologias sustentáveis para públicos de interesse da Embrapa Amapá (Professora Goreth).
- Ações de combate à mosca-da-carambola (André Abdon. PP-AP).
Fonte: Embrapa Amapá