Margem Equatorial

Amapá mantém negociações com Petrobras e Transpetro por estrutura logística para o petróleo

O Amapá mantém negociações com a Petrobras e a Transpetro para atrair investimentos em infraestrutura logística e ampliar a participação do estado na cadeia de petróleo e gás da Margem Equatorial. Entre as iniciativas está um memorando de entendimento firmado em dezembro de 2025 com a Transpetro, que prevê estudos sobre estruturas de apoio às operações.

O assunto voltou ao debate após notícias sobre Belém como base de apoio da Petrobras. No sábado (10), a presidente da companhia, Magda Chambriard, esclareceu que a possibilidade mencionada contempla os dois estados.

“O que afirmei foi a possibilidade de contarmos com estrutura logística no Pará e no Amapá”, escreveu.

A declaração indica que a utilização de estruturas no Pará não exclui a avaliação de alternativas no território amapaense. O memorando com a Transpetro, entretanto, estabelece cooperação para estudos e não representa aprovação definitiva de uma base nem garantia de construção.

Negociações começaram em 2025

As tratativas incluem agendas realizadas desde o ano passado. Em setembro de 2025, o governador Clécio Luís visitou o Porto de Niterói, no Rio de Janeiro, para conhecer estruturas de apoio às operações offshore. Em outubro, Magda Chambriard anunciou estudos para avaliar estruturas marítimas e logísticas no Amapá.

No mês seguinte, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, esteve no estado acompanhado de uma equipe técnica para analisar possibilidades de implantação de uma base logística. A cooperação foi formalizada com a assinatura do memorando, em dezembro.

Para o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, a repercussão sobre Belém não significa que as negociações amapaenses tenham sido interrompidas.

“A Petrobras já utiliza a estrutura do Pará para apoiar suas operações. Isso não é uma novidade e não significa que o Amapá esteja fora desse processo”, afirmou.

Preparação ambiental e diálogo com comunidades

Além das discussões sobre infraestrutura, o estado acompanhou etapas de preparação ambiental relacionadas à pesquisa de petróleo. Em abril de 2025, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente licenciou uma unidade de atendimento e reabilitação de fauna em Oiapoque.

O governo estadual também acompanhou o processo de licenciamento federal, conduzido pelo Ibama, e iniciativas de preparação para emergências. Em junho daquele ano, Clécio Luís reuniu lideranças indígenas em Oiapoque para discutir dúvidas sobre a pesquisa na costa amapaense.

Segundo Wandenberg, a atuação incluiu reuniões, acompanhamento do licenciamento, apoio a exercícios de simulação de emergência e diálogo com povos indígenas e comunidades da região.

Estado busca investimentos e oportunidades locais

Em 2026, as negociações continuaram com reuniões técnicas, contatos com empresas e participação em eventos do setor, como a OTC, em Houston, nos Estados Unidos, e a ROG.e, no Rio de Janeiro. A proposta é aproximar o Amapá de operadores, fornecedores e investidores, além de preparar empresas e profissionais locais para possíveis oportunidades.

A agenda ganhou relevância após a Petrobras anunciar, em agosto de 2026, a descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59. Em outubro, a companhia divulgou uma segunda zona com presença de petróleo. Em setembro, o Ibama também autorizou a perfuração de três novos poços exploratórios: Manga, PAD-Morpho e Crotalus.

Os resultados do Morpho ainda dependem de avaliação técnica e não confirmam viabilidade comercial. A autorização para novas perfurações permite ampliar a pesquisa, mas não autoriza o início da produção.

Wandenberg defende a continuidade das negociações sem transformar a discussão logística em uma disputa com o Pará.

“A gente pode cobrar, a gente pode defender os nossos interesses e buscar novos investimentos sem abrir mão do diálogo”, declarou.

Segundo o presidente da Agência Amapá, a prioridade é garantir a participação do estado nas oportunidades do setor e transformar as tratativas em investimentos e empregos para a população.

*Redação – Portal Amapá News / Agência Amapá

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