Imprensa e forças de segurança debatem combate à violência contra mulheres no Amapá


Jornalistas, assessores de comunicação e profissionais da segurança pública participaram, nesta segunda-feira (31), de um debate sobre a responsabilidade da imprensa na cobertura de casos de violência contra mulheres e meninas. O encontro foi realizado no auditório da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em Macapá.
Com o tema “A comunicação da violência contra a mulher nos veículos de imprensa”, a programação marcou o encerramento da campanha Amapá Lilás e discutiu formas de evitar a revitimização, ampliar a divulgação dos canais de denúncia e estimular mulheres em situação de violência a procurar ajuda.
Segundo dados apresentados durante o encontro, desde 2023 nenhuma vítima de feminicídio registrada no Amapá possuía medida protetiva vigente ou boletim de ocorrência relacionado à violência sofrida.
A secretária de Estado da Comunicação, Ana Girlene, mediou o debate e ressaltou a importância de a informação chegar às mulheres antes que a violência alcance níveis extremos.

“Nos últimos três anos, nenhuma mulher vítima de feminicídio no Amapá tinha medida protetiva em vigor. Esse dado demonstra a importância dos mecanismos de proteção e reforça que essas mulheres precisam conhecer e acessar a rede de apoio”, afirmou.
Patrulha acompanha mais de 6 mil mulheres
A atuação das forças de segurança foi apresentada pela 1º tenente Tatiane Ferreira, subcoordenadora da Patrulha Maria da Penha e especialista no atendimento a vítimas de violência.
Atualmente, mais de 6 mil mulheres com medidas protetivas são acompanhadas pela patrulha no Amapá. O trabalho envolve fiscalização, visitas e encaminhamento das vítimas para outros serviços públicos.

“A presença ativa da fiscalização e o suporte contínuo ajudam a garantir o cumprimento da decisão judicial e permitem que a mulher acesse serviços de cidadania e se sinta segura para reconstruir sua vida”, explicou Tatiane Ferreira.
Educação como forma de prevenção
A secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Simone Palheta, defendeu o fortalecimento de uma educação voltada ao enfrentamento do machismo e à prevenção da violência desde a base.

“O enfrentamento à violência requer articulação constante entre a gestão pública, o sistema de Justiça e a sociedade. Precisamos fortalecer a educação e a cultura para romper o ciclo de violência e combater a cultura patriarcal”, declarou.
Cobertura deve evitar revitimização
A jornalista e professora universitária Aline Ferreira abordou os critérios jornalísticos que devem orientar a divulgação de casos de agressão e feminicídio. Entre os cuidados estão a preservação da dignidade da vítima, a contextualização dos crimes e a divulgação dos canais de ajuda.
“A imprensa tem um papel pedagógico essencial. A abordagem jornalística deve humanizar a vítima, evitar a espetacularização e orientar a sociedade sobre os canais de denúncia”, destacou.
Canais de denúncia e atendimento
Os serviços de emergência, denúncia e acolhimento às mulheres funcionam 24 horas:
- Polícia Militar: 190, para emergências e flagrantes;
- Polícia Civil: Delegacia Virtual ou Disque-Denúncia 181;
- Central de Atendimento à Mulher: 180, com ligação gratuita e confidencial;
- Casa da Mulher Brasileira: atendimento presencial e suporte multiprofissional na Rua Floriano Waldeck, nº 1278, bairro São Lázaro, em Macapá.
*Redação – Portal Amapá News / Imagem: Luiz Santana/Sejusp



