Mangueira 2026: O Encontro do Morro com o Encanto Tucuju




Neste domingo, 15 de fevereiro,a Estação Primeira de Mangueira cruza a avenida com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. A verde e rosa presta uma histórica homenagem ao legado de Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, ícone da cultura amapaense e símbolo da resistência afro-indígena.



Este desfile é o ápice de uma jornada iniciada em 2025, unindo o Rio de Janeiro ao norte do Brasil em uma celebração de ancestralidade e cura.
Destaques do Desfile
Conhecido como o “Doutor da Floresta”, Mestre Sacaca foi o condutor de uma narrativa que exalta a sabedoria das ervas e a espiritualidade dos povos da floresta.
Temática: A Amazônia Negra A escola mergulha nas raízes do Amapá, dando protagonismo ao marabaixo e às comunidades quilombolas a sua devida importância na preservação ambiental através do conhecimento ancestral.
Conexão Territorial : o enredo promove um abraço simbólico entre o Morro da Mangueira e as terras tucujus. Essa união é imortalizada no refrão: “Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá”.
O Personagem Central Mestre Sacaca é retratado em sua plenitude: um curador que transita entre a ciência popular, a espiritualidade e a resistência cultural, protegendo o bioma e a memória de seu povo.
Letra do samba enredo da Mangueira em 2026
“Finquei minha raiz
No extremo norte onde começa o meu país
As folhas secas me guiaram ao turé
Pintada em verde-e-rosa, jenipapo e urucum
Árvore-mulher, mangueira quase centenária
Uma nação incorporada
Herdeira quilombola, descendente Palikur
Regateando o Amazonas no transe do caxixi
Corre água, jorra a vida do Oiapoque ao Jari
Çai erê, babalaô, Mestre Sacaca
Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata
Salve o curandeiro, doutor da floresta
Preto velho, saravá
Macera folha, casca e erva
Engarrafa a cura, vem alumiar
Defuma folha, casca e erva… saravá
Negro na marcação do marabaixo
Firma o corpo no compasso
Com ladrões e ladainhas que ecoam dos porões
Ergo e consagro o meu manto
Às bençãos do Espírito Santo e São José de Macapá
Sou gira, batuque e dançadeira (areia)
A mão de couro do amassador (areia)
Encantaria de benzedeira que a Amazônia Negra eternizou
No barro, fruto e madeira, história viva de pé
Quilombo, favela e aldeia na fé
De Yá, Benedita de Oliveira, mãe do Morro de Mangueira
Ouça o canto do uirapuru
Yá, Benedita de Oliveira, benze o Morro de Mangueira
E abençoe o jeito tucuju
A magia do meu tambor te encantou no jequitibá
Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá
Na Estação Primeira do Amapá”
Composição: Pedro Terra / Tomaz Miranda / Joãozinho Gomes / Paulo César Feital / Herval Neto / Igor Leal.



