Brasília

STF define rito de sessão que analisará mensagens entre Moraes e Vorcaro

Sessão extraordinária será realizada nesta terça-feira (15), às 10h, com transmissão ao vivo; ministros decidirão se autorizam a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.

 Supremo Tribunal Federal (STF) definiu o rito da sessão extraordinária que analisará, nesta terça-feira (15), o relatório da Polícia Federal sobre mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a um contato identificado como sendo do ministro Alexandre de Moraes.

O julgamento está marcado para as 10h e será conduzido pelo presidente da Corte, Edson Fachin. A sessão será pública, com transmissão ao vivo pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube.

O plenário decidirá se existem elementos suficientes para a abertura de uma investigação formal contra Moraes ou se o procedimento deve ser arquivado. A análise não representa um julgamento sobre culpa ou eventual condenação do ministro, mas define se os fatos deverão ser aprofundados.

Como será a sessão

Após a abertura dos trabalhos, Fachin colocará em votação a ata da sessão anterior e fará o pregão da Petição 16.662, processo que reúne o material analisado pela Polícia Federal.

Na condição de relator, o presidente do STF fará a leitura do relatório e delimitará os pontos que serão analisados pelo plenário. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República (PGR) será chamada a se manifestar. A expectativa é de que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, represente o órgão.

Depois da manifestação da PGR, será aberto espaço para sustentações orais. Alexandre de Moraes poderá se pronunciar durante essa etapa.

Encerradas as manifestações, Fachin apresentará o primeiro voto. Os demais ministros votarão na ordem regimental inversa de antiguidade, começando pelos integrantes mais novos da Corte. Ao final, o presidente proclamará o resultado. O rito foi detalhado pelo STF nesta segunda-feira (14)⁠.

Participação dos ministros ainda gera dúvidas

Ainda não está definido se todos os ministros participarão da votação. Dias Toffoli já havia se declarado suspeito nos processos relacionados ao Banco Master e não deve votar.

Também poderá ser discutida a participação de Alexandre de Moraes, por ser diretamente citado no caso, e de André Mendonça, que atuou anteriormente como relator e determinou providências relacionadas ao material da Polícia Federal.

O julgamento também poderá ser interrompido caso algum ministro apresente pedido de vista, solicitando mais tempo para examinar o processo. Nessa hipótese, a análise poderá ficar suspensa por até 90 dias, segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo⁠.

O que consta no relatório

O material foi elaborado a partir da perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. Os investigadores recuperaram mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a um contato salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”.

As mensagens tratariam do avanço das investigações sobre o Banco Master e incluiriam pedidos de ajuda, perguntas sobre possíveis medidas da Polícia Federal e questionamentos feitos por Vorcaro pouco antes de sua prisão.

As respostas atribuídas a Moraes, no entanto, não aparecem no relatório. Segundo a apuração, isso ocorreu porque a perícia foi realizada somente no aparelho de Vorcaro. Parte das mensagens era enviada como imagem de visualização única pelo WhatsApp, dificultando a recuperação integral do diálogo. A CNN Brasil explicou as limitações da perícia⁠.

Moraes questionou a divulgação parcial dos documentos e pediu a retirada integral do sigilo dos processos relacionados ao Banco Master. O ministro também solicitou que seu caso fosse analisado juntamente com outro procedimento envolvendo a atuação de André Mendonça. Fachin rejeitou o julgamento conjunto e marcou a análise do caso relacionado a Mendonça para 23 de setembro.

Segurança reforçada

O STF adotará um esquema especial de segurança para a sessão. O acesso ao plenário será restrito a pessoas previamente autorizadas pelo cerimonial da Corte.

Os celulares deverão permanecer desligados e guardados em sacolas lacradas durante todo o julgamento. O rompimento do lacre dentro do plenário poderá resultar na retirada do responsável. As regras de acesso foram divulgadas em comunicado oficial do STF⁠.

*Redação – Portal Amapá News

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